Incêndios Florestais no Paraná 21/06/2016 - 15:00

Geada aumenta risco de incêndios florestais no Paraná

A ocorrência de geada, somada à queda das temperaturas e à falta de chuva dos últimos dias reúne condições ideais que contribuem para o aumento de incêndios em vegetação em áreas urbanas e rurais nessa época do ano. De acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) 37 municípios no Paraná com índice crítico para incêndios florestais.
Por isso, a Defesa Civil Estadual, Corpo de Bombeiros, Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e Polícia Ambiental alertam a população para que contribuam no trabalho de prevenção de incêndios e atentem com relação ao manejo do fogo.
Os incêndios florestais, principalmente em áreas de florestas, causam prejuízos ao meio ambiente e também à saúde do ser humano. Incêndios em vegetação podem causar a perda de biodiversidade, contribuindo para o desequilíbrio florestal, erosão do solo, além de problemas econômicos quando ocorrido em áreas de produção agrícola.

De acordo com os dados do “Business Intelligence” (BI) do Corpo de Bombeiros, em 2016 foram atendidas 4.148 ocorrências de incêndio, com seis vítimas. O mês com maior número de atendimentos foi em abril. Em 2015, foram registrados pelo Corpo de Bombeiros mais de 7 mil ocorrências de incêndio ambiental e em 2014 foram registradas 6,7 mil atendimentos.

Segundo o Corpo de Bombeiros, historicamente os meses de julho e agosto são meses com maior incidência, chegando a 2716 casos no ano de 2013. A preocupação do Comando da Corporação é intensificar as campanhas preventivas em todo o Estado para que todos estejam auxiliando e cuidando do meio ambiente quando chegarmos no período crítico.

Para o Major Lorenzetto, Chefe da Comunicação Social do Corpo de Bombeiros, grande parte desses incidentes poderia ser evitado com cuidado e prevenção. "A frequente limpeza do mato, o cuidado com produtos inflamáveis, a conscientização da população, a prática de retirada de ramos (desrama), o fácil acesso à captação de água e a elaboração de um plano preventivo são medidas essenciais para que a extinção do fogo se torne mais rápida e consequentemente menos catastrófica", explica.

Entre os cuidados que devem ser tomados pela população está: não realizar limpeza de terrenos com fogo, não soltar balões ou fazer fogueiras, não jogar bitucas de cigarro pela janela dos carros, assim como outros resíduos como garrafas de vidro que podem servir como uma lupa para incidência do fogo no sol, entre outros.

O IAP e a Polícia Ambiental lembram que provocar incêndios em vegetação nativa sem a devida autorização e o conhecimento de órgãos ambientais competentes é considerado crime ambiental. Nesse caso, o dono do terreno e/ou pessoa responsável pelo manejo do fogo pode sofrer as sanções previstas na Lei de Crimes Ambientais e receber multas que variam de acordo com a área queimada.


Grupo técnico vai fortalecer prevenção e combate a incêndio florestal

O Governo do Paraná formou um grupo técnico para criar uma série de estratégias de prevenção e combate a incêndios florestais nas 68 unidades estaduais de conservação. Composto por profissionais da Coordenadoria Estadual de Proteção e Defesa Civil Estadual, Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Corpo de Bombeiros, Sanepar e Batalhão de Polícia Militar Ambiental, o grupo elabora planos de contingência para as unidades de conservação, ações de educação ambiental e informações para a sociedade sobre riscos dos incêndios florestais e os prejuízos sociais e ambientais que eles causam.

O objetivo é desenvolver práticas de prevenção e combate a incêndios para a orientação da sociedade, promovendo a participação social. Um projeto piloto será desenvolvido nas Unidades de Conservação Estaduais na Serra do Mar, contemplando os Parques Estaduais do Pau Ôco, Serra da Baitaca, Graciosa, Pico Paraná, Pico Marumbi e mananciais da serra, além do Caminho do Itupava. Também participa a sociedade civil organizada, através da Federação Paranaense de Montanhismo (FEPAM) e sua brigada voluntária, de associações de montanhistas e de moradores que estão diretamente envolvidas com os incêndios florestais na região do Plano Piloto.

O presidente do IAP, Luiz Tarcício Mossato Pinto, explica que muitas vezes, os próprios visitantes das Unidades de Conservação podem colocar sua segurança em risco com cigarros, fogueiras ou até mesmo soltando balões dentro ou próximo às Unidades de Conservação. “É preciso que toda a população esteja ciente dos riscos de segurança e dos danos ambientais que os incêndios provocam, tanto para as áreas naturais protegidas como para toda a população que vive no entorno delas. Sem esquecer que a prática de soltar balões e provocar incêndios em mata e florestas é crime ambiental”, disse ele.

A rede de atendimento proporcionará maior segurança à população, além de inseri-la neste contexto de prevenção e conservação do meio ambiente. “Já foram desenvolvidos padrões para o plano de contingência, definidos equipamentos mínimos para o combate a incêndio e estão sendo discutidas estratégias para o trabalho com a população”, explicou o Tenente Marcos Vidal, da Defesa Civil Estadual. Segundo ele, a aliança entre as instituições é importante para que se formalizem os protocolos e se institucionalizem as ações, conforme a competência relativa a cada um.



Em uma década, Paraná teve 97 mil ocorrências

Dados do Corpo de Bombeiros mostram que na última década foram atendidas mais de 97 mil ocorrências relacionadas a queimadas e incêndios florestais. Nestas ocorrências estão contabilizadas desde um pequeno foco num terreno baldio até um incêndio florestal de grandes proporções. “Muitas vezes esse pequeno foco pode virar uma tragédia ambiental e colocar vidas humanas em risco se não for controlado a tempo”, disse o tenente Vidal.